Grupo ECC E-Consulting Corp. DOM Strategy Partners Instituto Titãs Inventures

Certamente muitas pessoas já se perguntaram qual a verdadeira função do acesso via banda larga e desconfiam até mesmo que nunca irão precisar, categorizando toda e qualquer possibilidade de gasto com acesso mais rápido à Internet como supérfluo.A banda larga tem sido um grande paradoxo na Internet. Até o momento, inspirou grandes esperanças e grandes desapontamentos.

Empresas e usuários esperavam que a tecnologia de acesso rápido à Internet resolvesse problemas característicos da Internet atual, tais como downloads demorados, fornecimento de conteúdo multimídia defasado, perda de conexão e processos demorados de discagem. A banda larga no Brasil continuou, em muitos casos, lenta. Por quê? Depende do que se chama de banda larga.

A Internet em alta velocidade inclui acesso por linhas ISDN (Integrated Services Digital Network), redes locais, modems a cabo ou conexões ADSL. Em comparação aos seus colegas dial-up, quem usa banda larga visita mais Sites, acessa mais conteúdo multimídia e gasta mais tempo online. Porém, é importante ressaltar alguns pontos antes de se falar sobre dados de banda larga.

Devemos lembrar que os serviços sem fio, satélite e cabo submarino almejam ganhar espaço no fornecimento de acesso rápido. Companhias também iniciam a instalação de redes de fibras óticas em rodovias, ferrovias e em fios da rede elétrica (Internet como utility).

Muitos internautas domésticos usam modems de 56 Kbps (kilobits – mil bits – por segundo) para se conectar à rede. Nesse caso, falamos ainda de banda estreita “narrow”, mais lenta. Só que, dependendo da infra-estrutura existente em cada país, a definição de “banda larga” varia: no Brasil, velocidades a partir de 64 Kbps já são consideradas “rápidas” e, a partir daí, a velocidade do acesso aumenta (128 Kbps, 256 Kbps, 512 Kbps, 1 Mbps, etc.). Nos Estados Unidos, taxas de transmissão de dados abaixo de 2 Mbps (megabits – milhões de bits – por segundo) são consideradas lentas. No Brasil, a maioria das conexões estão abaixo de 1 Mbps. Na Europa, mais de 85% estão acima de 2 Mbps.

Isso ocorre porque a infra-estrutura de telecomunicações brasileira só começou a ser preparada para o “futuro” após sua privatização em 1996, quando as novas donas dos sistemas passaram a investir em tecnologias que permitem conexões mais velozes. Os EUA fizeram isso nos distantes anos 70. Ou seja, engatinhamos por muito tempo em serviços de banda larga.

Isso torna o Brasil uma rara exceção no mundo da banda larga, o que faz com que as tecnologias ADSL e cable-modem tenham a preferência do consumidor. No país, assim como no México, predominou o ADSL. A razão é simples: as operadoras de telecomunicações já tinham a infra-estrutura de redes implantada e, para levar a Internet em alta velocidade, eram necessários menos ajustes.

Por isso, o ADSL foi uma das tecnologias que mais recebeu investimentos e seu custo de implementação se mostrou relativamente mais baixo em relação às outras tecnologias. Operadoras montaram seus provedores de acesso para vender banda larga porque a regulamentação pedia e porque o modelo se pagava. Hoje esse modelo está em cheque e o EBTIDA médio gerado por esse tipo de receita deve cair sensivelmente nos próximos anos, principalmente por conta da ruptura de novas tecnologias (como VoIP), seja por conta dos modelos tipo TriplePlay.

Entretanto, o fato de a TV a cabo ter baixa popularidade no Brasil (por estar presente em menos de 10% dos lares) ajuda a manter o ADSL. Estados Unidos e Europa usam, prioritariamente, o cable-modem (para enviar e receber dados) e até a Argentina tem uma rede de TV a cabo relativamente maior que a brasileira. Com a diminuição dos custos, a tendência é de crescimento no uso de cable-modem, porém a curva de crescimento para esta tecnologia é lenta. O modelo triple-play promete acelerar este processo. Mas São Paulo ainda é o cenário mais viável para este movimento.

Mas o grande vilão na adoção mais incisiva da banda larga no país, apesar de decrescente ano a ano, foi seu custo de serviço.

Em contrapartida, conteúdo multimídia interessante, integração com celulares e fatores como qualidade, acessibilidade e facilidade de uso são fatores que têm trazido percepção de valor à banda larga no país.

Os próximos anos serão marcados por intensificação do processo de reestruturações nas áreas de comunicação e entretenimento, bem como nos setores tecnológicos e industriais. Conectividade de banda larga deve ser encarada como o fator imediato e mais significativo para se chegar a essas transformações, principalmente à massificação da TV Digital, que ainda patina no país, apesar dos esforços do Governo.

Além disso, o ambiente de concorrência acirrada no setor de telecomunicações – e a quebra da regulamentação que deve incidir no mercado de provedores de Internet, deve incentivar o desenvolvimento de modelos de negócios alternativos, além de aumentar a variedade de canais de informação, serviços, colaboração e publicidade. Com isso, o conteúdo multimídia para a rede, antes impossível (ou no mínimo lento) no modo antigo, se transforma em realidade, independente de quem -em que formato – oferte a banda larga.

Os comentários estão fechados.

Scroll to Top