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Call Centers atraem Funcionário mais velho e mais Escolarizado

Jornal O Tempo – Setembro, 2013

Jáder Rezende

O primeiro emprego pode ser também o último. Este fenômeno vem sendo observado no setor de call center, conhecido por absorver mão de obra jovem e sem qualificação. A chamada indústria de relacionamentos está atraindo cada vez mais desempregados acima dos 40 anos, com curso superior, e até aposentados. O setor prevê crescimento de 14,13% neste ano em relação a 2012, gerando faturamento da ordem de R$ 40,4 bilhões, de acordo com estudo da E-Consulting.

Depois de cursar duas faculdades e se aposentar, Margareth Petrocchi, 60, decidiu voltar ao mercado de trabalho e optou por buscar uma vaga em telemarketing. “Precisava ocupar minha cabeça e encontrei aqui uma verdadeira missão”, diz. “Além de ajudar as pessoas que atendo, ajudo a educar os colegas mais jovens”, afirma.

Atuando na mesma função, o técnico em contabilidade Rômulo Prata, 58, precisava aumentar sua renda mensal, mas depois de muitas portas na cara foi aceito na mesma central. “Foi uma bênção em minha vida, principalmente porque me tornei mais extrovertido e me atualizei em coisas que pareciam distantes, como a informática”, conta.

Já a aposentada Maria Rezende, 53, que trabalhava como faxineira, decidiu levar os estudos adiante e foi motivada pela jornada de seis horas diárias.

Tendência.  Na avaliação do presidente da empresa de recrutamento e seleção Elancers, Cesar Tegon, trata-se de uma área onde se consegue colocação muito facilmente e que vem sendo usada como estepe. Ele compara essa tendência à registrada nas décadas de 60 a 80 nas redes bancárias do país. “O setor de call center vai continuar crescendo e absorvendo cada vez mais mão de obra desqualificada, assim como ocorreu no passado com os bancos, quando desempregados buscavam emprego para pagar os estudos ou mesmo para garantir a sobrevivência”.

Em contrapartida, ainda segundo Tegon, no mesmo compasso em que essas empresas absorvem, elas destroem a mão de obra disponível no mercado. “Elas vão precisar sempre de novos funcionários. O turnover (rotatividade) é alto, na casa de 10% a 15% ao mês, e dificilmente essas empresas recontratam o mesmo profissional”, considera.

O presidente da AeC, líder em call center no país, Alexandre Moreira, admite que a rotatividade é elevada, mas pondera que a ocupação possibilita atividades paralelas, assim como dar prosseguimento aos estudos. Ele revela que, entre os 25 mil funcionários de sua empresa, cerca de 5% dos atendentes têm mais de 40 anos e 70% são mulheres.

Para Moreira, ao contratar atendentes com idade mais avançada, há garantia de melhor atendimento. “São pessoas que já atingiram a maturidade e proporcionam melhor retorno. Além disso, o ciclo de vida delas na empresa é muito maior. Quanto mais madura a equipe, melhor”.

Além do setor de atendimento direto ao cliente, o setor de telemarketing vem atraindo profissionais de nível superior de diversas áreas. Neste ano, segundo a E-Consulting, o número de funcionários totais trabalhando nos contact centers em todo o país deve aumentar 11,62%, o que corresponde a 1,84 milhão de pessoas empregadas pelo setor.

Alta rotatividade dificulta as políticas de humanização

A falta de qualificação no setor é fator preponderante para a absorção de candidatos com idade mais avançada, principalmente nas pequenas empresas, dizem os consultores Ivagner Ferreira e Valéria Ferreira, da Criativa Marketing and Solutions. “É comum a contratação de operadores que dominam mais de um idioma e graduados em diferentes áreas, como psicólogos, advogados e fisioterapeutas”, diz Valéria. “Mas a alta rotatividade e o grande número de funcionários dificultam a implantação de políticas de humanização”, completa Ivagner.

Entre as posições oferecidas no segmento de telemarketing, despontam entre as mais bem remuneradas, as de gerente de tecnologia e gerente comercial, com salários-base de R$ 9.150 e R$ 6.470. Já operadores recebem, em média, R$ 706.

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