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Para os antigos produtos de informação, conhecimento, educação, entretenimento e diversos outros serviços intangíveis, com o crescimento sustentável da Internet, os tradicionais depósitos de produtos estão sendo substituídos por data-centers, as caixas por bits e os caminhões por largura de banda.

Uma das mudanças mais significativas nos modelos de negócios nessas indústrias se deu quando as empresas deixaram de competir umas com as outras para competir em rede de empresas, organizadas em torno de uma cadeia de valor digital.

Esse modelo vem evoluindo e, atualmente, para continuarem competitivas, essas redes precisam investir pesadamente em aplicações digitais e infra-estrutura de TI para acelerar ainda mais a integração entre fornecedores, distribuidores, clientes e consumidores – estes atores, cada vez mais parte construtora da rede (colaboração e geração de conteúdo) e menos elo final de uma cadeia tradicional de suprimentos.

Dessa maneira, as transações (produtos, serviços e informações) entre os diversos atores dessas cadeias digitais dar-se-ão em formato integrado multimídia, suportados por uma malha poderosa de canais convergentes, móveis e digitais e por sistemas de gestão pautados em conhecimento e algoritmos de valor. E tudo isso, idealmente, em infra-estrutura cloud, preferencialmente acessíveis como serviços.

Nesse contexto, as palavras-chave para o sucesso desse “mundo integrado convergente 2.0” passarão a ser colaboração, compartilhamento e confiança.

O case da Indústria Cinematográfica

A informação e, em alguns casos, o próprio produto devem ser capazes de serem criados, armazenados, processados, distribuídos e consumidos de forma digital. Já havíamos dito em 2001 que tudo que pudesse ser digital seria. Parece que temos acertado…

A cadeia da indústria cinematográfica é um exemplo perfeito disso.

Há menos de duas décadas os filmes eram armazenados em películas, processados quimicamente e copiados para rolos, para depois serem distribuídos aos cinemas. Hoje, as etapas de filmagem, edição, cópia e distribuição são todas feitas em formatos digitais. Uma sala de cinema, atualmente, é capaz de efetuar o download sob demanda de um filme.

O Impulso dos Setores da Convergência

O modelo de Cadeias Digitais de valor pode ser melhor observado nas empresas dos Setores da Convergência (Música, Vídeo, Games, Entretenimento, Educação e Mídia), cujos produtos/serviços são pioneiros em formatos digitais.

Alguns exemplos são a versão online dos jornais, a compra de músicas via iTunes, as aulas virtuais das universidades ou as batalhas online de jogadores de Warcraft.

A própria natureza desses produtos e serviços facilitou sua transformação, remodelagem, disseminação e consumo em formatos digitais.

Curiosamente, há alguns anos, esses mesmos segmentos foram aqueles que mais se opuseram à distribuição de conteúdo digitalmente. Dentre as razões alegadas havia o temor de canibalização dos negócios “offline”, a proteção do relacionamento com distribuidores e a questão da pirataria. No entanto, atualmente, esse modelo tem sido considerado um complemento fundamental e irreversível aos negócios “offline”, muitos em reengenharia ou em declínio mesmo.

Características do Modelo de Cadeias Digitais 

• Importância de colaboração, compartilhamento de informações e Confiança.

• Tendência à digitalização das etapas da cadeia (criação, beneficiamento, armazenamento, distribuição, consumo).

• Busca pela integração de agentes qualificados à cadeia, de modo a torná-la mais competitiva (princípio de sobrevivência em grupo).

• Desenvolvimento de clubes de negócios restritos (com regras, linguagens e modus-operandi próprios).

• Adoção de formas de pagamento como pay-per-use e/ou assinaturas.

• Maior velocidade de time to market para entrada de novos produtos e serviços, muitas vezes lançados “por terminar”, para serem co-construídos pelos clientes.

• Importância dos sistemas de avaliação dos consumidores como feedback para a empresa e driver de compras para novos consumidores. Ex.: Sistema de avaliação da Amazon (indica o nível de satisfação dos consumidores, ao mesmo tempo em que serve como parâmetro para clientes potenciais).

Conclusão

Além dos diversos exemplos de rupturas e inovações nas empresas do Setor da Convergência, outros setores também estão sendo forçados a considerar o aspecto digital em seus modelos de negócio, de desenvolvimento de TI, a varejo, serviços financeiros e diagnósticos médicos.

A qualidade e intensidade das relações entre os membros de uma cadeia de valor colaborativa são determinantes para sua competitividade e sobrevivência conjunta. No entanto, é o aspecto digital dessas cadeias digitais que proporcionará novas e lucrativas maneiras de se criar valor para os clientes e consumidores, minimizando custos de produção e transação.

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