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CardNews – Abril, 2010

Fonte: CardNews

No início de outubro, o Wal-Mart pôs no ar a sua página de comércio eletrônico, o primeiro projeto do gênero desenvolvido pela rede fora dos Estados Unidos, que acena com a perspectiva de uma nova fase no mercado de compras on-line no Brasil. Na mesma época, o Pão de Açúcar anunciou a implementação de novas funcionalidades em sua loja virtual – www.extra.com.br – e um sistema que garante a entrega de mercadorias no mesmo dia. Até 2010 estão previstos investimentos de R$ 40 milhões na área. Carrefour e Casas Bahia também planejam aderir ao movimento. O cenário indica uma concorrência mais acirrada no qual preços baixos, facilidades de navegação, agilidade de entrega e atendimento personalizado certamente farão a diferença para atrair os consumidores.

Na avaliação de Marcelo Trípoli, diretor presidente da iThink, a iniciativa do Wal-Mart rompe uma tendência de concentração, no mercado brasileiro de comércio eletrônico, que se desenhou com fusão das operações da Amercianas.com e do Submarino, no final de 2006. “O mercado ganhou novo entrante com musculatura para competir com os grandes players”, afirma o executivo. “Esse mercado, além das grandes cadeias do varejo, tende a ser ocupado por lojas de nicho”, complementa Fernando Di Giorgi, diretor da Uniconsult, que vê sinais de amadurecimento do comércio eletrônico no País. “Hoje, já se percebe que o varejo on-line é um canal diferente e tem de ser tratado de forma diferente”, ressalta. O Wal-Mart entra na disputa por um mercado que registrou R$ 3,8 bilhões em negócios no primeiro semestre deste ano, com alta de 45% em relação ao volume apurado no mesmo período de 2007, conforme a e-bit, ligada à Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. A estimativa é de que o faturamento deve atingir a marca de R$ 8,5 bilhões até dezembro. O levantamento indica também que o número de consumidores que compram produtos pela internet subiu 42% em junho, totalizando 11,5 milhões de pessoas, por conta das facilidades encontradas nos meios de pagamento digital e da expansão da internet no País.
Além do crescimento orgânico registrado nos últimos anos, o comércio eletrônico chama a atenção por causa de um fenômeno que vem ganhando força no Brasil, a exemplo do que já acontece no exterior: a compra por impulso. Como as pessoas ficam mais tempo em casa, por causa do trânsito, da violência e de outros motivos, elas naturalmente navegam pela internet, visitam lojas virtuais e acabam fazendo compras. “É como se estivessem passeando em um shopping center e, de repente, decidissem entrar em uma loja para comprar um presente”, compara Trípoli.
Segundo ele, na Grã-Bretanha, as compras por impulso representam 30% das transações realizadas pela internet. No Brasil, não existem precisos referentes a esse fenômeno, mas o executivo estima que o volume seja bastante representativo.
A estratégia do Wal-Mart para o varejo on-line tem como uma das premissas a oferta de ampla gama de produtos, incluindo itens importados que o consumidor encontrará somente na loja virtual da rede, garante Flávio Dias, diretor de e-commerce. “A entrada no comércio on-line já estava em estudo há algum tempo, porém o foco da empresa nos últimos anos estava em consolidar o processo de integração do Grupo Sonae e do Bompreço”, diz, ao justificar a demora da rede em aderir ao varejo eletrônico. O executivo ressalta o cuidado em oferecer um ambiente bem estruturado para que os consumidores pudessem ter a melhor experiência na compra de produtos pela internet a preços mais em conta. Por isso o Wal-Mart pôs o site no ar somente este ano. Como a operação brasileira foi a primeira a se lançar no comércio eletrônico depois da matriz, nos Estados Unidos, é forte a expectativa de que os resultados do projeto sejam levados em consideração para a implantação de lojas virtuais em outros países. Orçado em R$ 25 milhões, o projeto contou com o apoio de parceiros como a iThink e a Uniconsult. A primeira foi responsável montagem da arquitetura da loja virtual e a segunda cuidou da estruturação de um sistema de back-office consistente para dar sustentação às negociações on-line.
Por razões estratégicas, Dias não revela o volume de operações realizadas, tampouco o tíquete médio das compras. Mas diz que as expectativas foram superadas porque “a receptividade do consumidor foi fantástica”. Dos cerca de 10 mil itens disponíveis na prateleira eletrônica, os produtos de informática, televisores, eletrodomésticos e brinquedos tendem a concentrar a maior parte da demanda. Segundo ele, o catálogo de ofertas deve crescer de forma rápida a partir do próximo ano.
Maior nível de interatividade, navegação intuitiva, vasta oferta de conteúdo descritivo de produtos, facilidade para localizar produtos na prateleira e de colocá-los no carrinho são apontados como alguns dos principais diferenciais da loja virtual do Wal-Mart. Ela foi configurada para facilitar o processo de compra pelo consumidor, desde o instante em que inicia a navegação até o momento em que efetua o pagamento e recebe os produtos. Na página os internautas podem ler comentários de especialistas, aferir nota para avaliar os produtos e compartilhar informações com outros compradores.
Apesar de considerá-la positiva para o mercado, Daniel Domeneguetti, sócio-fundador da E-Consulting, acredita que a investida do Wal-Mart não mudará o cenário do comércio eletrônico no Brasil. Isso porque continua prevalecendo o modelo de empreendimento que mantém um pé na internet e o outro no comércio tradicional – conhecido como varejo multicanal – em que muitas vezes a operação física serve de suporte aos negócios virtuais. “Novidade seria se a loja fosse totalmente on-line”, comenta. A tendência, diz ele, aponta para uma continuidade do movimento de integração dos dois ambientes: o virtual e o real.
MERCADO ON-LINE REGISTROU R$ 3,8 BILHÕES EM NEGÓCIOS NO PRIMEIRO SEMESTRE DESTE ANO, COM ALTA DE 45% EM RELAÇÃO AO VOLUME APURADO NO MESMO PERÍODO DE 2007, CONFORME A E-BIT

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