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O recente anúncio do IPO do Facebook – previsto para acontecer em Maio de 2012 – deixou muita gente impressionada com os valores especulados. Se as expectativas do mercado, investidores e analistas forem confirmadas, o Facebook deverá de alavancar cerca de US$ 5 bilhões e atingir um valuation de US$100 bilhões.

Para se ter uma idéia da proporção destes números, em 2004, o Google alavancou cerca de US$ 2 bilhões e mais recentemente a Zinga – empresa de jogos para redes sociais como o Farmville para próprio Facebook – US$1 bilhão, enquanto o Groupon – empresa de compras coletivas através da Web – US$700 milhões, o que tornará o IPO do Facebook um marco histórico no mercado financeiro de uma forma geral.

Em termos de valor de mercado (veja quadro abaixo), o Facebook atingirá um patamar próximo ao da Cisco, superando de longe gigantes como HP e EMC.

Porém, ao se avaliar a performance da ações ao longo do tempo, esse perfil de valorização não é uma constante, variando de empresa para empresa. Nos últimos 3 meses, o valor da ação do Google teve valorização de 3,5%, Groupon 27,8%, Zinga 39,1%% e Linked-In 48,7%, em comparação a uma valorização de 17,3% da Nasdaq.

Grande parte de tal performance em valorização para essas empresas digitais se dá em função dos resultados financeiros obtidos. No caso da Zinga, apesar das quedas significativas desde seu IPO, a partir de Fevereiro, com a informação reportada pelo Facebook de que 12% de seu faturamento provem dos jogos da Zynga, tal tendência de desvalorização se inverteu bruscamente.

Em relação ao Google, a diminuição nos ganhos do 4º. trimestre – reportados em Janeiro – em relação à expectativa dos acionistas, fez com que as ações perdessem 8% de sua valorização.

De maneira geral, ao final do dia, as empresas de internet enfrentam o mesmo desafio: transformar quantidades massivas de tráfego, utilização, dados e informações de comportamento de usuários em faturamento e lucratividade para seus clientes e acionistas.

Com mais de 500 milhões de usuários, o Facebook é a rede social mais popular da internet e seu IPO é um dos mais aguardados em Wall Street, porém sua capacidade de alavancar resultados – seja pelo modelo tradicional de propaganda ou por novos modelos de negócio como jogos e aplicativos – será testado constantemente e mensurado pelo mercado.

O exemplo vale para as demais pontocom na bolsa que, apesar das cifras exorbitantes – alguns analistas mais céticos acreditam em uma nova bolha da internet (!) – deverão provar seus modelos de negócio com resultados para os mercados de capital.

No Brasil, apesar do elevado apetite de investidores por ações de companhias de redes sociais em rápido crescimento e dos aportes bilionários de investimentos em empresas nacionais, o cenário é pouco propício para tal demanda, uma vez que os maiores destaques da Internet no país ainda são os grandes portais de E-Commerce, principalmente associados aos gigantes varejistas tradicionais como Grupo Pão de Açúcar (Nova Ponto Com) e B2W (Submarino e Americanas.com). Entretanto, movimentos isolados como o caso da NetShoes e os Sites de Compras Coletivas parecem apontar para novas possibilidades.

De qualquer forma, esse cenário denota um paradoxo na oferta pública de ações ligadas à internet, principalmente às redes sociais, para investimentos privados e IPO, uma vez que o brasileiro é o povo que mais utiliza redes sociais no mundo e é um dos mais empreendedores do planeta.

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