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O Desafio do P2P no Universo Corporativo

Quando falamos sobre uma tendência de mercado, procuramos sempre identificar qual a sua real aplicabilidade corporativa; isto é, como pode ser utilizada para que as empresas tirem algum benefício tangível dela. Vamos estudar aqui o P2P.

P2P, peer-to-peer ou ponto-a-ponto, não é simplesmente mais uma sigla do mundo digital. É um conceito que, em si, não traz grande novidade, uma vez que sua essência é a mesma do tão conhecido Napster. Ou seja, o P2P não é exatamente novo.

Há aproximadamente 30 anos algumas empresas já trabalhavam em modelos que podiam ser caracterizados como P2P. Porém, atualmente, muitos fatores reacenderam o fogo sobre os benefícios do modelo ponto-a-ponto.

O P2P funciona basicamente como uma rede de servidores conectados, permitindo o acesso, gerenciamento e troca de conteúdo em um ambiente distribuído e em tempo real, através de um sistema de busca avançada. Com o conceito, pode-se trocar qualquer tipo de arquivo, usando a Web como canal de transmissão dos dados. Todo o processo de compartilhamento e troca de músicas e arquivos de vídeo, por exemplo, não havia sido pensado do ponto de vista empresarial e dos modelos existentes de P2P até então.

O P2P, como arquitetura, permite a troca direta de informações entre os computadores sem acesso ao servidor central, o que é um facilitador quando pensamos em vínculo às linguagens do provedor. Mais ainda se pensarmos em modelos armazenados e servidos em nuvens (cloud).

Para empresas, redes e ambientes P2P permitem, por exemplo, que clientes e parceiros possam integrar e beneficiar diferentes formatos de arquivo em uma rede produtiva e/ou colaborativa única. Cada documento/arquivo fica armazenado em seu próprio Site, mas é compartilhado por todos. No tocante a ambientes internos – de áreas, departamentos, projetos, pesquisas, os benefícios desse tipo de abordagem são inquestionáveis.

Em tese, o modelo apresenta grande potencial de crescimento para utilizações corporativas porque as empresas agora começam a acordar para as reduções de custos possíveis com esse sistema. Embora ainda incipiente no mundo empresarial brasileiro, a tecnologia que fez do Napster um sucesso de público deve provocar uma revisão de muitas práticas e conceitos corporativos criados pós-advento da Internet. A grande sacada desse modelo é que as empresas conseguem montar toda uma infra-estrutura de informação e de arquivos sem precisar dispor de um servidor de dados com enorme capacidade, somente utilizando-se da troca e do compartilhamento direto entre os computadores. E tudo isso de forma colaborativa, multimídia e multiformato.

As companhias podem se beneficiar do P2P em diversas aplicações corporativas, desde a gestão do conhecimento e inteligência (beneficiamento de informações de valor para tomada de decisão), até racionalização de utilização de espaços, memórias e infra-estrutura nos ambientes corporativos. Claramente, os benefícios da cooperação, da agilidade e da confiabilidade de versionamentos também são visíveis. Outras aplicações relevantes são:

  • gerenciamento de documentos a partir de uma interface única,
  • gerenciamento da distribuição de dados para funcionários, parceiros, clientes e consumidores em tempo real,
  • aumento da comunicação com fornecedores e clientes como se fossem um “peer”,
  • troca dados intermitentes com subsidiárias e outros atores da cadeia de valor,
  • otimização do uso das redes internas,
  • economia nos gastos com servidores,
  • dentre outros fatores.

O P2P faz uso da capacidade computacional existente em uma empresa e das conexões já existentes, permitindo que ocorram reduções de custo com o uso da capacidade ociosa de alguns computadores. Os computadores que anteriormente eram utilizados como um “cliente”, agora se comunicam entre si de forma que podem agir como “clientes”ou como “servidores”de acordo com o que seja mais eficiente para a rede como um todo.

A Intel alega ter economizado U$ bilhões com o aumento da capacidade computacional da empresa e suas unidades, compartilhando o uso de computadores livres de sua rede global. Agências governamentais dos Estados Unidos uniram-se para utilizar uma tecnologia P2P a fim de prover estatísticas atualizadas e outras informações de interesse público a partir de um ponto central na Web. As empresas podem ainda reduzir os custos de armazenagem e backup de dados, além do benefício de servidores desempenharem diferentes funções, como geração e envio de mailing-list, billing, etc.

Como toda tecnologia de uso evolutivo e recente, o P2P deixa várias perguntas e dúvidas. Mesmo apresentando diferenciais atraentes e expectativas de crescimento no mercado mundial, o P2P ainda não é considerado realidade pelo simples fato de não haver protocolos comuns e unanimemente aceitos e estabelecidos para a comunicação entre as empresas.

Para solucionar o problema, foi formado há alguns anos o The Working Group on Peer-to-Peer Computing., liderado pela Intel, IBM e HP,  para disseminar a tecnologia e trabalhar no estabelecimento de padrões avançados em infra-estrutura P2P. Mas os resultados têm sido lentos. Outras preocupações ocorrem em relação ao consumo de grande parte da largura de banda pelo aumento do tráfego pela rede, segurança dos “peers” e privacidade na troca das informações.

Certamente, apesar de não dispor de um padrão único para todos os envolvidos e potencialmente interessados, o P2P é uma evolução irreversível trazido pela Internet. O sucesso de sua padronização vai ter um papel crucial na adoção dos aplicativos ponto-a-ponto pelas empresas.

A tecnologia ainda passará por muita experimentação nos próximos anos e acabará por abrir seu próprio caminho no universo corporativo.

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