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Ao julgarmos os mais de 300 cases inscritos para o Prêmio B2B em Novembro do ano passado, um assunto nos chamou atenção especialmente: a Web 2.0, em latente processo de aquecimento corporativo. Muito se escreveu, mas, de fato, pouco se mostrou de tangível em aplicações de valor com caráter 2.0 pelas empresas.

Buscas, Wikis, RSS, Blogs, Comunidades Online, 3DWeb… a Internet renasce para alguns, entusiasma outros, surpreende outros tantos e encanta a todos. Para nós, que estamos enfiados nela desde sua primeira onda, ela simplesmente continua. Afinal, nada disso vai ser definitivo mesmo… nada disso vai ser o máximo que a rede vai nos propor… e pior, nenhum player que hoje domina o mercado com essas propostas e tecnologias será o líder da nova onda de evoluções da rede. Quem disso isso não fomos nós. Foi Clayton Christensen. E podem acreditar.

Esqueçam esse papo de revolução! Isso não é política, é negócio e, em negócio, na Internet, em 99% dos casos, o nome do jogo é evolução, daquelas parecidas com Darwin mesmo. É tentativa e erro, é correção de rota, é inovação inesperada, é fracasso retumbante, é experiência contínua. E quem nos garante isso é a natureza humana, ao mesmo tempo, a base evolutiva e o juiz sanguinário do que pega e do que não pega na Internet.

Leiam nossa tese e digam se temos ou não razão:

Vivemos na Economia das Redes, na era do interligado, do interconectado, das trocas incessantes. Trocamos a todo momento informações, recursos, impressões, sensações, experiências, idéias, opiniões… Influenciamos e somos influenciados diuturnamente por nossos semelhantes. O Fator Relacionamento assume cada vez mais peso na Economia e no equilíbrio das forças mercadológicas, uma vez que temos muito mais informação, acesso e, portanto, capacidade de formar opinião e ler realidades.

A cada momento brotam comunidades, micro-sociedades, grupos e tribos auto-organizadas por interesses, gostos, hábitos, regiões, comportamento, pontos de vista. É o Homem procurando seu similar, seu igual em qualquer canto do mundo. Religiões, valores, crenças, culturas, doutrinas e preferências são aglutinadores mais que poderosos. O mundo se redefine a todo instante sócio-geo-politicamente, se reorganizando em novos grupos, transnacionais, transregionais, meta-étnicos. Isso é da natureza humana, é 2.0. Sempre foi e sempre será.

Aonde vamos parar é uma resposta inexata – aliás não há resposta para essa pergunta. O Homem é o único animal capaz de planejar e alterar seu destino. O todo social é fruto da construção do um, somado ao um e ao um e ao um… elevado à enésima potência, com diversos vetores, a todo instante. Justamente por isso as redes (não só locais, mas virtuais), frutos dessas interações infinitas, são o novo emaranhado social, o novo tecido que dará o tom da nossa sociedade, rediscutindo valores, relendo a História, reinterpretando fatos, reavaliando propostas, recriando mercados.

A Internet e as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) são o fermento de todo esse processo de natureza eminentemente humana. É do Homem querer trocar, comerciar, aprender, imitar, influenciar. E é exponencial esse processo bio-sociológico do Homem na Era Digital das micro-redes que formam a Grande Rede.

Esse novo Mercado está em equilíbrio dinâmico; ou seja, a cada nova interação se cria um novo patamar de equilíbrio mercadológico, diferente do anterior. A cada novo patamar, variáveis novas aparecem, novos comportamentos aparecem, velhos paradigmas ficam para trás. Esse novo Mercado não é estático, não é perene, não tem dono; somente atores. O equilíbrio das forças é derivado direto do poder de cada ator e do poder dos grupos (permanentes ou temporários) formados por esses atores – que representam interesses diversos, modus vivendi e modus operandi diversos. Por isso é tão dinâmico e tão mais potencialmente democrático.

Todos sabemos que as redes de informação – que antes estavam confinadas à proximidade física – agora ficaram globais e intermitentes por conta da Internet. A Grande Rede é, no fundo, uma mega arquitetura mutante, pseudo-desorganizada ,de computadores, hand-helds, celulares, smart-phones, TVs e demais devices com acesso à Rede. O mundo do IP determinará o novo padrão das trocas entre os humanos, seja das trocas de informação e recursos, seja transações mesmo. Aumentam-se assim as possibilidades por se aumentar a instantaneidade e a riqueza informacional. Pesquisar, checar, informar, ofertar, requisitar e comparar são tarefas mais fáceis, mais possíveis a cada um.

A Informação é o recurso básico dessa nova Economia que transforma tudo em informação – de produtos e conhecimento à capital financeiro, que migra a todo segundo de transferência eletrônica a transferência eletrônica em formato de informação. Tudo que pode ser transformado em bit pode ser considerado informação.

Esse fluxo infinito de informações tem valor – valores diferentes para agentes econômicos diferentes em momentos e ocasiões diferentes. A informação de valor a um agente é aquela capaz de ser processada, de ser entendida, tratada, trocada e armazenada. Esse processo é feito pelas diversas mídias disponíveis (PCs, TVs, Celulares, Smart-Phones, etc), desde que estes estejam conectados à Rede. A natureza e variedade desses devices somente aumentarão com o tempo. Tudo que puder estar online estará. Relógios, roupas, óculos, eletro-domésticos, eletro-eletrônicos… tudo poderá trocar informação, via rede, com os outros devices servindo a outros atores.

Nossa leitura é que nós humanos – aparentemente fornecedores e usuários dessas informações – agentes de interação pontual com a Rede seremos, cada vez mais, como parte integrante online desta Rede.

A revolução digital, principalmente a mobile/wireless, está se permeando entre nós, guiada por uma explosão de novas diretrizes e tecnologias que foram, uma vez, o mundo da ficção científica e de seus heróis. Os telefones celulares, os palm-tops, handhelds, laptops e as redes sem fios fazem a Internet virtualmente acessível em qualquer lugar, a qualquer momento. Hoje isso já é possível, mas amanhã teremos a Web realmente transparente, praticamente uma utility, perceptível somente quando em falta, como já ocorre com a energia elétrica e o gás.

Neste momento, quando tudo estiver online, cada ser humano será um nó ativo no fluxo online e instantâneo de informações. Por este nó de rede passarão os impulsos informacionais. É mais ou menos como se cada Ser Humano fosse um elo na arquitetura da mega rede de informações, assim como os computadores já o são. Ou seja, como se cada Humano fosse, em si, também mídia para essas informações, uma vez que a produz, transforma, trata, armazena, dissemina e troca.

Esse novo Ser Humano digital – o Homus Informatione – terá acesso instantaneamente à informação, captando-a, traduzindo-a, disseminando-a, mas principalmente, criando novas informações, gerando conhecimento, deixando suas pegadas, tornando-se, ele próprio, em informação. Analogamente, é como se cada ser humano, nesta rede de informações fosse similar a um poste de energia elétrica na rede de distribuição e gerenciamento de energia. E será o usuário 2.0 o artífice desta evolução, porque também será o consumidor 2.0, o acionista 2.0, o funcionário 2.0, o ex-funcionário 2.0, o ongueiro 2.0, etc.

Sem dúvida alguma estamos migrando para essa realidade. E quando isso ocorrer, toda uma nova Economia, novos mercados com novos valores e práticas brotarão. Muitos dos que hoje dominam morrerão e terão cumprido seu papel de ponte tecnológica. Alguns sobreviverão, inúmeros nascerão. Vale lembrar, porém, que, atualmente, a digitalização é uma grandeza ofertada somente a poucas pessoas no mundo – algo exclusivo das classes e países mais ricos.

A inclusão digital é um imperativo para que essa nova Economia – mais transparente, pulsante e democrática – cresça, eliminando os vícios de concentração e exclusão daquela oriunda da lógica agro-industrial. Estamos em momento real de transição e é nesses momentos que se definem os futuros possíveis da evolução humana. Que futuro queremos? Que Economia queremos? Que lógica política queremos? Por isso tenho dito – Tecnologias Sociais – em conjunto com educação e estímulo à auto-educação – são o investimento de base mais importante para o sucesso desse novo milênio.

Ah… querem saber se Internet 2.0 é nova bolha? Claro que é, porque esse é o processo de evolução espiral da rede. E como tal, quando explodir, matará a grande maioria de seus surfadores. Mas depois virá a 3.0, a 4.0… a n.0. Querem apostar?

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