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Sangue e veias, software e hardware, automóveis e estradas, pedestres e calçadas, pulsos telefônicos e cabos, refrigerantes e canudos… não importa a analogia, o ponto comum a esses exemplos é a relação visceral de interdependência entre o objeto de interesse, importância e a estrutura que o permite existir ou chegar ao seu destino.

De nada serve o sangue para o corpo sem as veias para carregá-lo. De nada servem os softwares que não rodam sem o hardware, os automóveis que perdem sentido sem ruas e estradas, os pedestres que não podem circular sem calçadas e tantos outros exemplos. A idéia é essa. Nesse artigo vou abordar a importância da carcaça, do esqueleto, das fundações, da coisa meio chata, sem glamour, mas fundamental: a arquitetura de processos das empresas.

Nosso pequeno-imenso legado de cultura digital parece ter-nos feito considerar, ainda que de maneira velada, que tudo que é sólido, parrudo, estrutural é coisa de dinossauro, coisa do passado. Pois bem! Não é não.

É bem verdade que a massificação do fluxo de informações, o exponencial crescimento da TI, principalmente em ambiente Internet, a globalização, a onda da qualidade e outros fatores igualmente impactantes fizeram com que o verdadeiro valor das empresas, no século XXI, se depositasse mais em ativos ditos intangíveis, do tipo talentos humanos, marcas, patentes, relacionamentos e, principalmente, conhecimento, do que em ativos físicos tradicionais, como máquinas e fábricas.

É verdade também que a intensificação do fluxo de informações – e, portanto, do mar de possibilidades que traz – entre empresas e entre pessoas causou uma verdadeira corrida pelo online, pelo on-time, pelo instantâneo. Hoje não vivemos sem celulares, sem laptops, sem smart-phones, sem TV… sem um arsenal de equipamentos capazes de captar, armazenar e disponibilizar informações on-demand.

É verdade sim que houve uma inversão de valores econômicos e que fábricas e equipamentos valem bem menos que idéias e patentes em vários casos. Biotecnologia, conexão wireless, web 2.0, biometria, redes de valor, p2p, webservices, convergência de mídias, TV Digital e mais uma série de exemplos podem ser apontados para provar essa tese.

Mas é verdade também que, à exceção do Google, quem tem ganhado a corrida digital, pelo menos até agora, são as empresas vistas como pré-históricas, porém mais para tiranossauros-rex do que para mastodontes. Grandes sim, mas leves, ágeis, agressivas, voadoras, focadas.

O segredo dessas empresas tem sido buscar a inovação, aproveitar o mundo do intangível, porém partindo de uma profunda reorganização de sua arquitetura de processos e fluxos, de seu frame, de seu esqueleto de departamentos, para poder competir melhor justamente na ordem do intangível. Ou seja, são sim digitais, competitivas digitalmente, mas sólidas, por serem organizadas, por terem rearranjado todas as suas veias para que o sangue do conhecimento digital pudesse nelas trafegar com mais efetividade.

Isso mesmo. Foi promovendo uma profunda readequação de processos, fluxos, tarefas, departamentos, funções, papéis e responsabilidades que essas empresas conseguiram se tornar ágeis e grandes, rápidas e sólidas, flexíveis e organizadas. Mágica? Não, é a convivência de opostos, de paradoxos, é a genialidade do “E” de Jim Collins se fazendo presente, na prática, em empresas como GE, Wal-Mart, Unilever,… os exemplos são muitos.

Essa é a nossa proposição real. Na era do conhecimento, as empresas precisam tanto de arquitetos e engenheiros, como de estudantes e professores. A era digital, do conhecimento, é também a era da empresa fluida.

Mais vale organizar a casa, primeiro, revendo lógicas, fluxos, critérios de decisão, formas de relacionamento e troca com cada agente de relacionamento da cadeia de valor (inclusive e, principalmente, clientes e colaboradores). Mais vale entender o que a empresa quer e precisa trocar com cada um desses agentes, em que formato, bases, periodicidade, valores.

Mais vale entender em qual momento do processo, do relacionamento com cada agente há captação, criação, armazenamento, tradução, transformação ou disseminação de qual conhecimento. E aí, sistematizar isso dentro de uma lógica de knowledge management, em sistemas de informação que consigam dar vazão a essa nova arquitetura.

Se o sangue é o conhecimento, as veias são os processos. Se as veias são os processos, a carcaça, os esqueletos, são as fronteiras organizacionais de relacionamento.

Não estávamos presentes. Não vimos a criação do homem por Deus. Tudo que sabemos vem da Bíblia ou da ciência. Mas se tivermos que dar um chute, daqueles de Nelinho, Éder ou Roberto Carlos, diríamos que sabendo da importância vital do sangue para a vida, para a sobrevivência, no mesmo instante em que pensava especificamente no sangue, Deus pensou nas veias. E junto com elas, na carcaça.

Talvez seja esse o caminho da recriação das empresas. Conhecimento, processos e fronteiras organizacionais de relacionamento pensados juntos, construídos e (re)desenhados em conjunto.

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