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Varejo Online no Brasil e o Risco da Saturação Virgem

O TechLab da E-Consulting vem produzindo, desde 2001, o Índice de Varejo Online, ou VOL®, que representa a soma dos volumes de transações de automóveis, turismo e bens de consumo (lojas virtuais e leilões para pessoa física) realizadas no Brasil.

As análises e estudos conduzidos pela E-Consulting® apontam que o VOL®, que totalizou R$ 17,4 bilhões em 2007 – aumento de 30,8% em relação a 2006 e o equivalente a aproximadamente 3,6% do varejo no Brasil (dados estimados a partir do índice-base do IBGE), chegue à casa dos R$ 21,9 bilhões. Um marco, realmente.

VOL-Autos em 2007 No ano passado, o VOL-Autos totalizou R$ 6,4 bilhões. Em 2007, montadoras, revendedoras e concessionárias representaram em torno de 43,3% do VOL Total, um crescimento de 17,18% frente a 2006.

VOL-Turismo e VOL-Bens de Consumo em 2007 O VOL-Turismo e o VOL-Bens de Consumo movimentaram, em 2006, respectivamente, R$ 2,8 bilhão e R$ 4,1 bilhões.Em 2007, o VOL-Turismo alcançou R$ 3,7 bilhões (em torno de 21,3% do total do VOL) – crescimento de 32,1% em comparação com 2006. O VOL-Bens de Consumo atingiu em 2007 a cifra de R$ 6,1 bilhões (35,3% do total do VOL) – aumento de 48,7% frente a 2006.

A expectativa da E-Consulting® é que a base de consumidores online chegue a perto de 10 milhões de e-compradores, dentre os mais de 37 milhões de usuários (em, 2007 éramos em torno de 8 milhões para quase 34 milhões de internautas). O ticket médio anualizado, por sua vez, que foi de R$ 311,00 em 2007, deverá chegar a R$ 318,00 este ano. Mas, infelizmente, a concentração de vendas nas 30 maiores operações online, que foi de 91% em 2007, deverá permanecer constante.

Leitura inicial: em 2007 experimentamos mais um crescimento importante do comércio eletrônico no varejo, com taxas ainda acima dos 30% anuais, porém pouco inferior aos anos anteriores. O mesmo fenômeno pode ser encontrado no número de usuários (com crescimento até maior), porém com leve redução relativa do crescimento do ticket médio, o que sugere um pequeno acréscimo de compradores das classes B- e C nas bases de e-buyers nacionais, ainda muito concentradas em classes A, B+ e B.

O Risco da Saturação Virgem

É importante salientarmos que mesmo com este crescimento, o varejo online no país ainda não representa nem 5% de todo varejo nacional, isso já com mais de 5 anos de operação. Ademais, variáveis complementares como (i) baixa penetração relativa de cartões de crédito, PCs e Internet, mesmo ano a ano crescentes, (ii) convergência digital ainda distante (em celulares é caro trocar dados – Brasil país de concentração em pré-pagos – e TV digital apenas iniciando operação), somadas a fatores como (iii) alta concentração de demanda (público comprador ainda concentrado nas classes mais abastadas) e (iv) alta concentração de oferta (poucas lojas representando a grande maioria das operações), trazem ao varejo online brasileiro um perfil de maturidade antecipada indesejada que batizamos de Saturação Virgem, um risco real à operação, sob a ótica macro-econômica.

O termo, cunhado pelos analistas do Techlab da E-Consulting, pode ser explicado da seguinte maneira: “saturação”, por conta das concentrações de oferta e demanda e do perfil de ticket médio, e “virgem”, porque conceitualmente, uma operação de varejo não pode estar madura com um nível de penetração tão baixo na economia. Ou seja o varejo online deveria crescer em cima de bases amplas de transações, como é característica do varejo, e não de forma elitista e concentrada como ocorre hoje.

O Estudo Anual da E-Consulting “Varejo Online 2008” alerta que esta constatação é um risco importante ao país, que deve ser tratado na forma de política setorial, a partir do planejamento, incentivo e implementação de ações sustentáveis de inclusão digital de consumidores de classes manos abastadas (via convergência em celulares e TV, via barateamento de PCs e acesso à Internet, via telecentros e escolas) e de barateamento do crédito, bem como com ações de incentivo à inclusão empresarial dos pequenos varejos na Web, a fim de se reduzir o nível de concentração atualmente encontrado.

Os principais lojistas, por sua vez, têm um papel relativo importante na pavimentação dessas condições para os e-consumidores entrantes, mas vale lembrar que o problema é macro-econômico e não setorial. A qualidade do varejo online no país é excelente quando se observa os principais players.

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