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O papel do CIO vem sofrendo alterações, ou melhor, upgrades constantes nos últimos anos. À medida em que a Tecnologia da Informação passa a ser enxergada com maior clareza como área habilitadora fundamental para que a grande parte dos objetivos de negócios sejam alcançados, os desafios, que eram em tempos remotos, quase que exclusivamente técnicos, passam a ser técnicos, de planejamento, gestão… ou seja, cada vez mais estratégicos. Integrar e entregar são palavras mágicas, que vêm devidamente acompanhadas por compreender, gerenciar, cortar, controlar, apostar, incentivar, governar, se comunicar, convencer, explicar, defender, priorizar, decidir.

Os novos desafios do CIO têm fonte geradora externa e interna. Os desafios externos são aqueles impostos por conjunturas econômicas e de mercado, geralmente estratégicos e competitivos. Já os internos são aqueles fomentados pelas necessidades operacionais e de resultados, mormente relacionados às metas de performance crescente, disponibilidade de recursos decrescentes, pressão absurda por redução de custos e busca por retornos tangíveis e intangíveis superiores com prazos cada vez mais escassos.

No atual contexto, em que grande parte das empresas globais enfrenta uma das maiores crises financeiras já vivenciadas pela humanidade, e que o principal objetivo passa a ser sobreviver com o menor sofrimento possível, podemos destacar alguns desafios que farão parte obrigatória da agenda do CEO em 2009:

  • Alinhamento com os Objetivos Corporativos – apesar de o papel e responsabilidades do CIO já estarem de certa forma integrados aos níveis estratégicos de planejamento da empresa, ainda se percebe uma importante distância a ser suprimida: a sua responsabilidade, mesmo que indireta, nos resultados de negócios da empresa, ou seja, a mensuração, para efeitos de accountability, do quanto a tecnologia da informação irá contribuir para a captação de clientes e aumento de vendas, redução de custos, aumento de produtividade e melhoria nos resultados da empresa, dentre outros. O que existe hoje em dia é um desalinhamento entre o modelo de avaliação de sua performance e sua correlação com as metas de negócio da empresa. A fim de manter seu orçamento e norte estratégico, TI precisará, ainda mais em 2009, mostrar que valor gera para o negócio e para os acionistas.
  • Planejamento de curtíssimo, curto, médio e longo prazo – a tecnologia da informação, como agente viabilizador de processos e sistemas que visam prover e/ou potencializar maior eficiência e competitividade para a empresa, deve ter bem estruturado e alinhado seu planejamento tanto em seu curto, quanto no longo prazo. Isso inclui ter a capacidade de adaptação a circunstâncias inesperadas com planos de contingência e soluções paliativas de rápido efeito. A TI mais estratégica e inovadora geralmente está associada ao longo prazo; já a TI do dia a dia tem mais a cara de serviços de suporte e manutenção. 2009 será um prato cheio em termos de adaptação e revisão de premissas, principalmente se considerarmos que boa parte das plataformas tecnológicas, sistemas, hardware e infra-estrutura são dolarizados, por exemplo.
  • Gestão de Recursos Financeiros e Humanos, de Parceiros, de Fornecedores, de Projetos e de Demandas – a função de gestão, inerente a um CIO, compreende um complexo sistema de relacionamentos e expertises que quando falho em um de seus pontos coloca toda sua rede produtiva e, por conseqüência, de produção e negócios da empresa em risco. Dimensionar a capacidade interna e a matriz de necessidades a serem supridas otimiza recursos financeiros e dá vazão às demandas das áreas de negócio, valorizando as iniciativas que devem ser priorizadas e gerenciadas a fim de entregar o benefício esperado pela corporação no prazo estabelecido, com máxima qualidade. Em 2009, este desafio de priorizar, decidir o que internalizar ou terceirizar e fazer escolhas corretas de corte de custos ou mesmo aumento de investimentos será crucial.
  • Uso prático da tecnologia com resultados imediatos – Identificar e aplicar tecnologias que visem redução de custos, maximização de ativos existentes (como infra-estrutura e parque de TI) e propiciem maior produtividade deve ser pauta balizadora das ações do CIO. Entregar resultados imediatos significa mostrar que a TI ajuda, e muito, o negócio. A troca de processos usuais por processos tecnológicos-digitais pode gerar resultados significativos, a exemplo da utilização de plataformas IP móveis e convergentes, que podem reduzir sensivelmente os custos de telefonia, comunicação, viagens, relacionamento, suporte, reuniões, etc. Em 2009, tudo que puder ser digital, remoto e barato será.
  • Equacionamento entre os papéis estratégico e tático – Nem 8 nem 80. O comprometimento com objetivos estratégicos demanda a participação ativa e opinativa do CIO nos quesitos de negócio, propiciando o correto entendimento das necessidades da empresa, sua importância e seu impacto nos resultados. Com isso, imagina-se que o CIO aumente sua capacidade de taticamente organizar seus recursos de forma a atender plenamente o direcionamento e metas estabelecidas no âmbito estratégico. E em 2009, ser capaz de gerenciar a escassez e escolher aquilo que é mais ligado à estratégia, que é quick-win (maior impacto, com menores custos) será fator crítico na gestão da TI.

Em suma, podemos dizer que os desafios do CIO em 2009 compreendem orquestrar orçamentos, restrições, estratégias, interesses, legados, ferramentas, sistemas, processos e pessoas com o objetivo de prover maior eficiência aos negócios e à operação da organização, entregando produtividade, performance e valor superiores para que a empresa seja alçada, ou se mantenha, ao menos, em um estágio competitivo diferenciado.

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